Existem coisas sobre a faculdade que só vamos compreender até as sentirmos, e a que me custou mais a entranhar foi a cumplicidade que um grupo tão grande de pessoas consegue criar em tão pouco tempo. Começa com o primeiro dia de praxes e o desconhecimento total do que nos espera. Sente-se um arrepio na espinha quando se vê tanta gente de preto a alinhar-nos, a contar-nos, a perguntar-nos os nossos nomes e a exigir respeito, a alterar os nossos costumes e o espaço social ao qual estamos habituados. Acho que ser caloiro se assemelha um pouco a ser o novo aluno de uma turma que se conhece de longa data, com a peculiaridade de sermos 40 novos alunos que não se conhecem de lado nenhum.
Não são apenas os jogos ou as canções ou toda a porcaria que despejam para cima de ti e te fazem fazer. É um espírito que nasce em cada um de nós que nem sequer sabíamos existir, que nos transforma, que nos faz entrar a chorar e sair a rir, que nos dá a certeza de que pertencemos e de que queremos ficar. Entrar num curso não é fazer um curso, é conhecer uma família. É ser acolhido e respeitado, e acolher e respeitar. Não se pode sair da faculdade sem se sentir que fica algo para trás. E não são as pessoas, não é o espaço, não é o traje. É um pouco de nós.
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